São horas de ir dormir, mas o seu bebé continua a brincar como se nada fosse? Está na fila do supermercado e o seu filho atira-se para o chão a gritar porque quer um chocolate? Se estas situações lhe são familiares, não desespere. Educar uma criança é talvez a tarefa mais complexa que terá de realizar na vida. E, infelizmente, não há fórmulas mágicas. Cada família terá de perceber o que funciona no seu caso e estabelecer as suas próprias regras. Mas isso não quer dizer que não existam princípios gerais que lhe podem dar uma ajuda. Ora veja!
Idade das birras
As birras surgem, por regra, a partir dos dois anos, embora inicialmente apenas como resposta a uma frustração ou contrariedade e pouco dirigidas. Mais tarde, a partir dos três, quatro anos, já começa a poder verificar-se uma atitude mais desafiante e de medição de limites e forças, muitas vezes com birras mais elaboradas. É nesta fase que se assume como fundamental os pais manterem uma postura coerente e unânime. Observadoras implacáveis do comportamento humano, perante o mais discreto sinal de hesitação, as crianças encontrarão espaço para perpetuar o mau comportamento, fazendo chantagem entre os progenitores. Se não existir acordo entre os pais, estes devem evitar mostrá-lo diante da criança, mas suportar a decisão do outro e falar mais tarde, em privado, sobre o assunto. Mimo vs Disciplina Os pais sabem o quanto é difícil enfrentar as lágrimas dos filhos, principalmente quando têm tão pouco tempo para estar com eles. É, aliás, aqui, que muitos cedem e, para que o tempo em conjunto não se transforme numa batalha, permitem comportamentos que sabem não estar corretos. Disciplinar não é simples, rápido ou infalível, mas pode ser menos complexo se os pais seguirem alguns princípios. E tentar comprar os filhos com mimo não é um deles. Nunca negue afeto ao seu filho, nem ponha em causa o seu amor por ele, mas seja firme na hora de aplicar a disciplina. Sempre que surja um comportamento inadequado, deve-se explicar, olhando olhos nos olhos e de modo assertivo, o que a criança fez de errado e o que deveria ter feito.
Hierarquia familiar
Entre a escola, as atividades extracurriculares e os passeios em família, os pais organizam o dia em função dos afazeres dos filhos. Centradas nas suas necessidades, as crianças acreditam assim que tudo deve adaptar-se à satisfação dos seus desejos. Pais e crianças não têm as mesmas armas, nem o mesmo cérebro, é por isso que a ideia de uma relação de igual para igual é nociva. Não se justifique, para evitar dar uma imagem de fraqueza, mas explique que todas as ações têm consequência. As boas são recompensadas e as más castigadas! Estabelecer limites em termos de educação ajuda a criança a estruturar-se e equilibrar-se. Famílias perfeitas Compreender que ninguém é perfeito é meio caminho para a harmonia familiar. Sejam pais! Apenas usem a vossa criatividade e métodos imaginativos para educarem filhos emocionalmente inteligentes, racionais e intuitivos, que gostem de si próprios e dos outros e que os respeitem. Que aprendam a gerir as contrariedades e os limites com tranquilidade. O que não se deve fazer é dizer que a criança é má ou que já não gosta dela porque isso vai gerar ansiedade e manter os problemas subjacentes, podendo mesmo intensificá-lo. Em vez de seguir os padrões de amigos ou familiares, os pais devem adotar regras que façam sentido para a sua família.
Aprender a relativizar
A reação dos pais deve ter em consideração a idade da criança, a intenção com que agiu e a gravidade da situação. Se for uma atitude desafiante, o ideal é não ligar. Se persistir, pode-se tentar mudar a atenção da criança e dar sempre o exemplo. Se for uma atitude perigosa, deve ser explicado com calma, de modo a não ser repetido. O castigo deve ser aplicado na altura certa, já que, à posteriori, a criança não conseguirá associá-lo ao mau comportamento. Outra estratégia é destacar as boas ações. Toda a ação da criança visa despertar a atenção dos pais. Se ela vir essa atenção satisfeita através do bom comportamento, irá realizá-lo mais vezes.
O castigo saudável
- Antes de aplicar o castigo, avise-a fazendo uma advertência; - Se o comportamento continuar, acompanhe-a até uma sala ou canto isolado; - Durante o percurso, não a critique nem repreenda; - O lugar deve estar livre de objetos que a entretenham; - Explique-lhe que ficará nesse local a pensar no seu comportamento. Para definir a duração, há um critério que pode usar: um minuto por cada ano da criança.
Saber negociar
Se os pais não tiverem medo de educar, não confundirem afeto com permissividade, as crianças aprenderão que é necessária outra estratégia, a da sedução e da negociação. Na prática, é essencial os pais definirem os limites e, naquilo que é importante serem firmes e manterem a postura. Em situações menos importantes, podem ceder, de forma a fazer a criança perceber que também sabem dizer sim e assim ela aceitará melhor quando for a sua vez de ceder. Na relação com as outras crianças, nomeadamente em casos de violência, deve-se tentar fazer com que a criança se coloque no lugar dos outros, de forma a perceber que a agressividade não é o caminho para fazer amigos.
Bomba-relógio
Na ânsia de querer só desfrutar de bons momentos com as crianças, isentos de choros e birras, alguns pais cedem constantemente nas suas imposições. No entanto, esta atitude tem consequências. Por um lado, as crianças perdem a noção de respeito, autoridade e disciplina, acreditando que nada lhes é proibido e tornando-se possíveis adultos que não sabem agir perante a frustração. Por outro, os próprios pais acabam por descarregar nos filhos a sua tensão, muitas vezes quando estes não fazem nada de mal. Por mais intensa que seja a pressão, os pais não devem esquecer o seu papel de adultos educadores. Bater, agredir ou humilhar e rebaixar a criança são estratégias a evitar pois, ao fazê-lo, os pais mostram que são opções válidas.